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SISO Market Pulse Nº 002 Julho 2026
Grande Porto em Foco — o Mercado que Duplicou sem Parar
VMAB atualizado a Maio 2026 · 182 municípios com dados · Foco: Grande Porto · Euribor: 2,77% em junho
Índice deste número
01Resumo executivo 02Preços VMAB — panorama nacional 03Ranking de municípios 2026 04Crédito e Euribor 05Foco regional: Grande Porto 06Análise SISO

01 · Resumo Executivo

1 815
€/m²
Média nacional VMAB
▲ dados Maio 2026
1 605
€/m²
Mediana nacional
▲ vs. 1 551 Fev 2026
12
municípios
Acima de 3 000 €/m²
▲ 10 em Fev 2026
2,77%
Euribor 12M · Jun 2026
Taxa de referência
▼ vs. 2,88% em Maio

Os dados VMAB de Maio 2026 confirmam a aceleração do mercado: a média nacional subiu para 1 815 €/m² e a mediana para 1 605 €/m², ambas acima dos valores de Fevereiro. O número de municípios acima de 3 000 €/m² passou de 10 para 12 em três meses — sinal de alargamento da pressão de preços para além dos mercados tradicionais de topo.

Em destaque neste número: o Grande Porto, onde seis municípios registam valorizações entre +69% e +107% desde 2020, com CAGR anual acima de 10% — e ainda com desconto de 30% face a Lisboa.

Fonte: INE — Estatísticas de Preços da Habitação (VMAB 0012248). Dados: Maio 2026.


02 · Preços VMAB — Panorama Nacional

Principais mercados por preço (€/m²) · Maio 2026

Lisboa4 717 €/m²
Cascais4 129 €/m²
Oeiras3 998 €/m²
Amadora3 315 €/m²
Loulé3 305 €/m²
Porto3 300 €/m²
Matosinhos2 833 €/m²
Vila Nova de Gaia2 350 €/m²
Mediana nacional1 605 €/m²

Fonte: INE — VMAB 0012248, Maio 2026.

O Porto entra pela primeira vez entre os cinco municípios mais caros do país, empatado com Loulé e Amadora ao nível dos 3 300 €/m². A valorização de +141 €/m² em três meses (vs. Fevereiro) reflete uma procura local e internacional crescente, com oferta de imóvel novo abaixo da pressão de mercado.

Dados completos no dashboard: O SISO Market Data cobre 182 municípios com séries VMAB desde 2011, comparadores e análise de ciclos. Acesso livre →

03 · Ranking de Municípios 2026

Top 5 em CAGR total (2015–2026)

#MunicípioVMAB Maio 2026CAGR 2015–26Nota
1Barreiro2 809 €/m²+13,1%/anoAML Sul · procura por acessibilidade
1Moita2 475 €/m²+13,1%/anoSetúbal · mercado emergente
3Sintra2 888 €/m²+13,0%/anoAML · maior município · muito líquido
4Amadora3 315 €/m²+12,9%/anoAML · contíguo a Lisboa · alta densidade
5Alenquer2 152 €/m²+12,9%/anoOeste · valorização desde preço muito baixo

CAGR calculado sobre VMAB anual INE. Período: 2015–2026.

Nota metodológica: CAGR elevado reflete muitas vezes recuperação de preços deprimidos em 2015 — não garante performance futura. Barreiro e Moita partiram de 638–727 €/m² em 2015; os ganhos futuros dependem agora de dinâmicas diferentes.

04 · Crédito e Euribor

2,77%
Euribor 12M · Jun 2026
Taxa de referência
▼ −0,11 p.p. vs. Maio
2,88%
Euribor 12M · Mai 2026
Mês anterior
▼ vs. máx. 4,2% (2023)
60–70%
LTV máximo
Para não-residentes
residentes: até 90%

A Euribor 12M recuou para 2,77% em junho, após o pico de 2,88% em maio — sinal de estabilização após a volatilidade de abril (2,85%). A descida é modesta mas confirma que o ciclo de subida de taxas ficou para trás: o máximo de 4,2% em 2023 traduziu-se em prestações 35–40% mais altas do que as atuais para créditos de taxa variável.

Impacto no crédito habitação: Em crédito de 300 000 € a 30 anos, a descida de 4,2% (2023) para 2,77% (jun 2026) representa uma poupança de aproximadamente −230 €/mês na prestação de referência.

Para compradores não-residentes, o acesso ao crédito continua limitado ao LTV de 60–70% — ou seja, 30–40% de capitais próprios são necessários independentemente da taxa. A pré-aprovação bancária antes do CPCV continua a ser a recomendação da SISO.


05 · Foco Regional: Grande Porto

O Grande Porto é o mercado que mais surpreende nos dados de 2026: seis municípios com valorizações entre +69% e +107% desde 2020, CAGR anual acima de 10% — e ainda com desconto de 28–55% face a Lisboa. É o perfil de um mercado em fase de convergência: ainda acessível, mas com força de valorização já comprovada.

Grande Porto + Braga — VMAB Maio 2026 vs. 2020

MunicípioVMAB Mai 2026vs. 2020CAGR 11a
Porto3 300 €/m²+69,5%+11,0%/ano
Matosinhos2 833 €/m²+91,5%+11,5%/ano
Vila Nova de Gaia2 350 €/m²+101,2%+11,2%/ano
Maia2 277 €/m²+93,3%+11,1%/ano
Gondomar2 142 €/m²+107,0%+11,6%/ano
Valongo2 022 €/m²+96,3%+10,9%/ano
Braga1 984 €/m²+102,4%+11,1%/ano

Fonte: INE — VMAB 0012248. CAGR calculado 2015–2026. Variação desde 2020: cálculo SISO sobre série anual.

O desconto face a Lisboa (Maio 2026)

Lisboa (referência)4 717 €/m²
Porto3 300 €/m² −30%
Matosinhos2 833 €/m² −40%
Vila Nova de Gaia2 350 €/m² −50%
Braga1 984 €/m² −58%

Esta assimetria é estrutural — Lisboa e Porto são cidades diferentes, com mercados de trabalho e bases de procura distintos. Mas a tendência de convergência é real: em 2015, o Porto custava 18% do preço de Lisboa; em 2026, custa 70%. A distância diminuiu e continuará a diminuir — a questão é a que ritmo.

Nota SISO — contexto de primeira mão: A SISO opera em Matosinhos Sul desde 2019. Os projetos José Francisco e D. João I foram executados neste mercado — o mesmo que registou +91,5% desde 2020. Este não é um mercado que descobrimos nos dados: é o mercado onde vivemos e trabalhamos. Ver casos de estudo →

06 · Análise SISO

O que os dados dizem — e o que ainda não dizem

1. Gondomar e Valongo: os dados surpreendem. Com +107% e +96% desde 2020, Gondomar e Valongo superam em valorização todos os municípios da AML Sul no mesmo período. Não são mercados "premium" — são mercados de primeira habitação com forte liquidez local. O comprador internacional raramente olha para aqui. O comprador português sabe o que vale.

2. Braga é o caso mais interessante do Norte. +102% desde 2020, CAGR de 11,1%, cidade universitária com economia diversificada — e ainda abaixo dos 2 000 €/m². A distância ao Porto (60 km, 45 min.) e a presença crescente de empresas tecnológicas criam uma base de procura diferente da histórica. O mercado de arrendamento é competitivo, o que sustenta yields mais visíveis do que em Lisboa.

3. A queda da Euribor não é o fator principal no Norte. Ao contrário de Lisboa, onde os preços de entrada exigem crédito máximo, o Norte ainda tem tickets de entrada que permitem maior proporção de capitais próprios. Isto torna o mercado do Porto menos sensível às variações da Euribor — e mais defensivo em cenários de subida de taxas.

4. O VMAB subestima o mercado de imóvel novo. As avaliações bancárias INE refletem o stock existente — não capturam totalmente o imóvel novo, onde os preços são sistematicamente mais altos. No Porto cidade, o imóvel novo de qualidade transaciona acima dos 4 000 €/m² em várias zonas. O VMAB de 3 300 €/m² é um piso, não um tecto.

Visão SISO — Julho 2026: O Grande Porto oferece o melhor equilíbrio entre valorização comprovada, liquidez crescente e preço de entrada abaixo dos picos metropolitanos. Para quem está a ponderar Portugal e ainda não decidiu entre Lisboa e Porto, os dados de 2026 apontam claramente para Norte — especialmente em Matosinhos, VNG e Maia. Braga merece atenção crescente no segmento de arrendamento.

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